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24 de Agosto de 2019

Haddad quer impedir motorista de táxi de debater com o passageiro política, futebol e religião

Haddad quer impedir motorista de táxi de debater com o passageiro política, futebol e religião. Só mesmo a tara autoritária esquerdopata, que tem a ambição de regular o que dizer, o que pensar e a quem querer, poderia ousar impor a censura dentro dos táxis. Acho que o prefeito pretende que os taxistas não comentem com os passageiros o seu notável legado.

Frederico Fernandes dos Santos, Advogado
há 4 anos

Está com vontade de discutir matemática pura, leitor? Filosofia? Engenharia genética? Então o seu lugar é o táxi. Especialmente depois que o prefeito Fernando Haddad resolveu rasgar a Constituição e instituir a censura. Já chego lá. Os motoristas de táxi de São Paulo terão de fazer um curso de oito horas. E o dito-cujo tem uma grade curricular obrigatória. É preciso passar por ela pra obter o Condutax.

Numa sociedade que caminha, felizmente, para a descontração — o que não quer dizer, obviamente, dispensar trajes mais solenes para ocasiões igualmente solenes —, parece que os taxistas estão condenados a ser a nossa reserva de rigor. Já chego lá. Quero voltar à Constituição.

O Item VI do curso está assim redigido:“Evitar polêmicas ou situações que provoquem estresse no passageiro em virtude de: a: paixões esportivas; b: convicções partidárias; c: fé e cultos religiosos; d: opções de comportamento pessoal; e: não tratar de problemas particulares nem da categoria.

Entenderam? Haddad quer suspender para o motorista de táxi os direitos assegurados pelo Inciso IV do Artigo da Constituição — “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato” — e o Parágrafo 2º do Artigo 220: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

Quer dizer que acabou de entrar num táxi e debater política com o motorista? Ficarão eles proibidos de passar pela buraqueira da cidade e dizer: “Esse prefeito só se preocupa com bicicleta; olhem como está isso!”. Não mais poderão se orgulhar de seus filhos (“problemas pessoais”). Se o meu Corinthians vencer o Palmeiras do condutor do bólido, não posso fazer uma piada — ou, vá lá, ele comigo, na hipótese de vitória do Verdão?

Motoristas não mais poderão pendurar um santinho ou um rosário no carro porque, sabem como é?, isso poderia ofender os cultores de outra fé e os ateus militantes.

Nesta segunda, um motorista de táxi chamado Jorge me levou da Avenida Paulista até a Editora Abril. Quando entrei no carro, ele estava ouvindo o programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan. Era a reapresentação, que vai ao ar a partir das 20h. Ele também atestou que o programa é um sucesso, mas disse que já houve passageiros petistas que pediram para que ele desligasse o rádio, irritados com o que ouviam. Ok. É do jogo. Negociação.

Há, sim, no tal curso orientação de bom senso, como evitar cheiros desagradáveis de suor, cigarro e perfumes muito marcantes. Faz sentido. Mas há tolices autoritárias, como proibir um motorista de usar “camisas com estampas”…

Mas só mesmo a tara esquerdopata, que tem a ambição de regular o que dizer, o que pensar e a quem querer — como numa antiga canção —, poderia ousar impor a censura dentro dos táxis. São mais de 30 mil na cidade de São Paulo. Acho que o prefeito pretende que os taxistas não comentem com os passageiros o seu notável legado.

A Prefeitura pode, sim, impor normas para o exercício de determinadas profissões — até essa ridicularia de proibir camisa estampada. Mas, obviamente, não tem poder para regular a conversa entre indivíduos. Aí é a Constituição que não deixa. Uma coisa é impor um código de conduta e até de vestimenta para determinada profissão. Outra, muito distinta, é querer cassar garantias constitucionais.

Parece uma coisa menor? Não! Não é! A Prefeitura que, amiúde, tem condescendido com baderneiros quer meter o nariz numa conversa entre indivíduos? Ora, Haddad! Vá procurar serviço.

Fonte: VEJA

3 Comentários

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Não faz sentido se regulamentar um serviço para padronizar critérios de preferência que os consumidores supostamente possuem. Isso vai contra a lógica do incentivo à inovação e criação de valor. Além disso, a regulamentação e a obrigatoriedade de cursos [assim como a obrigatoriedade do extintor de incêndio] é uma forma de pessoas ligadas ao poder [lobbistas] conseguirem vender seus serviços e produtos. É triste ver como funcionam as coisas... continuar lendo

É muita falta do que fazer deste prefeito. continuar lendo

Desculpem; mas acho que cometemos erros gravíssimos ao comentar sobre religião.
Vivemos uma mentira quando dizemos futebol e religião não se discute, a onde há conflito, só o dialogo resolve.
Sobre nosso conflito religioso.
Falamos de tudo e não Falamos sobre os verdadeiros causadores, a raiz do problema.
As lideranças religiosas.
Não se trata de ferir a liberdade religiosa, mas a forma que lidamos com ela.
As lideranças, tem obrigação de mostrar porque dizem que a outra está errando, e a outra por sua vez tem a obrigação de mostrar porque está certa.
é uma questão de dignidade humana - e merecemos - por parte das lideranças religiosas - nem que seja pela lei - serem obrigadas a fazerem um programa de TV, Internet, e revisarem a onde se encontra os erros, como disse não é uma questão de ferir a liberdade religiosa - mas de sermos respeitados pelas lideranças.
Estou começando a divulgar isto.
E gostaria de opinião.
Obrigado pelo espaço continuar lendo